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domingo, 10 de julho de 2011

DISCO DIGITAL: OPTIMUS ALIVE 4º DIA: RITUAL DO INABITUAL


O site Disco Digital fez um breve resumo sobre 4º dia do Optimus Alive, aonde Paramore se apresentou. Confira abaixo:

Para o último dia do Optimus Alive ficou guardado o melhor concerto do festival no palco Optimus, um cancelamento de peso no palco Super Bock e um confronto de gerações no recinto com resultado saldo positivo para todos.

No dia em que o recinto registou a afluência menos numerosa - 30 mil espectadores - chegou-se a temer nova onda de azar com o anúncio do cancelamento de Dizzee Rascal no palco Super Bock. Felizmente, ficaram por aqui as más notícias e partimos para uma noite bem recompensadora para quem aproveitou o maior espaço de circulação para ir visitando os vários concertos a decorrer.

Comecemos pelo final. No palco Optimus havia uma curiosa recta final de alinhamento com os Paramore a apelarem a um público juvenil deixando uma incógnita quanto ao público que ficaria para testemunhar a vinda Perry Farrell e seus pares a Portugal. Ambos os grupos em estreia absoluta no nosso país e com expectativas bem diferentes por parte dos respectivos fãs, os novatos mais optimistas e os veteranos mais reservados. Arriscamos dizer que ninguém saiu defraudado esta noite do palco principal do Alive, os Paramore cumpriram e os Jane´s Addiction assinaram o mais intenso e bem conseguido concerto de todo o evento no que diz respeito aquele palco.

Perry Farrell é um artista à antiga daqueles em vias de extinção. Consegue fazer com que canções com cerca de vinte anos de idade ainda hoje façam sentido em palco. Depois, há uma selecção perfeita de alinhamento que começa com «Mountain Song» e termina no incontornável «Jane Says», desfilado numa encenação que nos remete imediatamente para o imaginário que os Jane´s Addiction sempre nos fizeram imaginar. Bailarinas suspensas no ar por piercings(!), mulheres em lingerie e poses que suam sexo por todos os poros em oposição à figura única de Farrell que mantém na sua distinta voz e frágil figura toda a força cénica ao que sempre imaginámos ser a banda ao vivo. Foi o grande concerto do palco Optimus 2011, um regresso triunfante à actividade, uma estreia auspiciosa em Portugal. Exige-se nova visita num concerto em nome próprio.

Sem a mesma intensidade mas com entusiasmante atitude tivemos o reencontro com os Kaiser Chiefs que andam nas bocas do mundo não tanto por terem feito algum novo grande êxito mas mais pela forma interessante como lançaram o seu novo disco. Apesar do material novo a banda optou por jogar seguro e recorrer aos temas que todos aprendemos a gostar e reconhecer rapidamente. Estes adeptos do Leeds United vingam-se do falhanço da sua equipa em ascender ao escalão principal de Inglaterra com concertos muito mexidos e suados. Os clássicos foram todos celebrados em coro e o auge da rebeldia aconteceu quando Ricky Wilson sai disparado do palco e salta para o balcão do bar mais próximo para ir tirar cervejas perante o espanto geral. Regresso selado com mais um concerto positivo.

Antes os White Lies apresentaram as canções dos seus dois discos e concluímos que realmente «To Lose my Life» é uma grande canção mas que não nos vão dar muito mais do que isso.

Do outro lado do recinto ao fim da tarde nascia um daqueles mitos a explorar brevemente e a confirmar em nova oportunidade, os Wu Lyf vieram de Manchester para defender o seu disco de estreia, editado já este ano, «Go Tell Fire to the Mountain» e fizeram-no muito convincentemente. É banda para mantermos debaixo de olho.

Com a saída de Dizzee Rascal o contingente português aumentou resultando em grande triunfo para as bandas que estavam em casa. Os Linda Martini tiveram mais dificuldades para agitar uma plateia visivelmente cansada ao fim de quatro dias de festival chegando mesmo a ouvir-se o baterista desabafar com o público que já os tinha visto mais activos.

Os Diabo na Cruz aproveitaram esta oportunidade aparecida à última da hora para montar uma enorme festa de música portuguesa cantada em português a que nem faltou uma ida às raízes com uma versão para «Lenga Lenga» dos Gaiteiros de Lisboa. Mais tarde os Orelha Negra trataram de assinar uma das mais conseguidas actuações do grupo e por arrasto um dos melhores concertos do palco Super Bock surpreendendo com alguns temas inéditos.

Os Foals aproveitaram a oportunidade para ganhar mais uns quantos fãs para a sua causa publicada em dois discos devido a uma actuação bem conseguida e os TV on The Radio voltaram a Lisboa para dar mais um concerto de nível alto.

Das várias vezes que passámos pelo palco Optimus Clubbing, hoje a cargo da Boys Noize Records, esteve sempre povoado por festivaleiros conhecedores e interessados à espera do próprio cérebro que dá nome à companhia.

A despedida no palco Optimus foi ao som da mediática dupla de DJs Armand Vand Helden e A-Track, os Duck Sauce, acompanhados de um terceiro elemento, um pato insuflado, que em palco que trouxeram o seu êxito «Barbara Streisand» numa tentativa de nos devolverem as noites quentes de verão que este ano não aconteceram durante o festival.

Foi o quinto Optimus Alive que ficará na memória pelos enormes concertos de Primal Scream, Grinderman, Chemical Brothers e Jane´s Addiction, pela noite em que a responsabilidade e a segurança garantida pela organização têm que ser elogiadas e pela afluência de festivaleiros.

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